terça-feira, outubro 17, 2006

projectos...

a proposta:




Há uma pergunta no regresso que me faço sempre que viajo, como será olhar para a cidade onde se vive pela primeira vez? Como será ser um turista que a experimenta com o olhar crítico de quem pertence a outro sítio?

O imaginário que fazemos de uma cidade desconhecida é construído pela aglutinação da informação que nos chega, mapas, imagens, sons, relatos, histórias, etc. informação esta que nos chega sempre na terceira pessoa transformando-a num somatório de recordações colectivas ainda não ordenadas pela nossa memória ou experiência empírica.

Pessoalmente gosto de conhecer uma cidade sem mapas, sem horários, sem caminhos, apenas apelando ao imaginário que já tinha (ou não) dela. Pode-se sempre sofrer do sindroma de sthendal sendo necessário proceder a um exercício de escolhas e apelando à capacidade que todos temos de estabelecer relação entre as várias dimensões da cidade, construindo assim uma memória individual e particular.

E a cidade é isso mesmo, é feita de recordações de todos nós.

Neste projecto procura ver Lisboa pela primeira vez.

A partir de registos/recordações individuais, e por isso subjectivas, pretendo construir uma memória híbrida, particular (para mim) e colectiva (para o espectador) que é feita através de um olhar crítico constituído por um exercício de estabelecer relações, conjugações e escolhas.

É pedido a quatro “lisboetas” que registem a “sua cidade” a partir de um registo vídeo/áudio, registos estes que serão os elementos gramaticais utilizados para a construção de um quinto registo vídeo/áudio efectuado em tempo real.

O conteúdo dos quatro registos não será conhecido por ninguém, ao vivo serão combinados a partir de sequências, fades, acelerações/atrasos e repetições, etc., pelo intérprete que tem o papel improvisador de escolha das memórias que pretende relacionar, reter, registar e intensificar para a construção do seu objecto artístico, constituindo-se assim um único registo audiovisual.
A uma determinada altura poderão ser combinadas numa única imagem áudio/vídeo as quatro fontes que da mesma forma poderá ser escolhida apenas uma, é desta dinâmica de possibilidades que vive a estética deste trabalho.

O trabalho procura forçar a cidade a ser imagem e som, pois não passará também de um registo a transmitir a terceiros, no entanto pretende-se mostrar as coisas tal como elas são vinculando apenas a relação que se estabelece entre as várias partes, dar ordem ao caos através das escolhas e da eleição do “relevante” que é levado à condição de protagonista alimentando o olhar do observador. Completa-se, complementa-se e refaz-se no olhar de quem o contempla

“A imagem talvez seja, afinal, apenas a expressão da coincidência (da simultaneidade) da ideia com a sensação” Bernardo Pinto de Almeida


a coisa até que é simples, o mais dificil é a parte técnica...

entretanto será sexta a prova de fogo...

2 comentários:

Michael disse...

E espero poder assistir nesse dia, para ver o resultado de andar a 20 km/h na avenida da liberdade
;-P

polliejean disse...

que interessante!! espero que um dia venhas a fazer o mesmo sobre Berlim :)