terça-feira, novembro 21, 2006

a festa da música acaba... ordinários...



A Festa da Música acaba por falta de verbas. O Centro Cultural de Belém (CCB) pôs um ponto final no projecto que ao longo de sete anos levou até Belém, além de melómanos encartados, muitos jovens que se iniciavam na música clássica.

O corte de 600 mil euros por parte do Ministério da Cultura foi a gota de água que levou o Conselho de Administração (CA) a acabar com o evento que este ano juntou, em Abril, cerca de 50 mil espectadores.

Só hoje de manhã é que o presidente do CA do CCB, António Mega Ferreira, irá explicar à imprensa como tudo se passou e que tipo de acontecimento colocará em substituição daquela festa que já era tão "popular" em Lisboa.

"A partir do momento em que tivemos um corte de 600 mil euros, ou mantínhamos a Festa da Música, ou cortávamos na programação que anunciámos", revelou, ao DN, António Mega Ferreira, que hoje falará do novo evento, Dias da Música, que decorrerá também a 20, 21 e 22 de Abril, "igualmente com muitos concertos, mas não tantos".

Conquistar novos públicos

Mega Ferreira disse não se tratar de "uma decisão de última hora", porque tinha sido "muito ponderada", tomada há cerca de mês e meio e transmitida por carta de 4 de Outubro a René Martin, o organizador da Folle Journée, em Nantes, França (o DN tentou contactá-lo, sem sucesso) cuja concepção foi exportada para Lisboa, Japão e Bilbao - e basicamente apostava na conquista de novos públicos para a música clássica, jovens e crianças, que encontrariam um ambiente informal, preços mais baratos e um formato de concertos menos demorados.

Os Dias da Música, segundo o responsável pelo CCB, "não poderá custar mais de um terço do que custava a Festa da Música, ou seja, 1,2 milhões de euros". Os sinais não eram encorajadores. A última edição teve menos concertos e o próprio René Martin, que sabia das dificuldades financeiras, conseguira de alguns artistas uma redução de 30 a 40% para virem tocar a Lisboa em Abril passado. Recorde-se, ainda, que em Março o CCB e a Câmara Municipal de Lisboa assinaram um protocolo, onde a autarquia se comprometia a financiar a Festa da Música com 100 mil euros até 2008.

Ministra apoia decisão

Em Setembro, Isabel Pires de Lima dizia no Parlamento, na apresentação do orçamento da tutela, que a Festa da Música tinha "apenas três dias com uma despesa exagerada". Uma opinião que não mudou. A ministra disse ontem ao DN que achava bem "o reajustamento" porque "era um disparate de gestão gastar-se uma percentagem do orçamento absolutamente exorbitante em três dias". Insistindo porém que "não houve cortes reais a nível de programação" no CCB e esta, para 2007, "é muitíssimo melhor do que as temporadas anteriores". Em 2007 não haverá, portanto, a Festa da Música que iria ser dedicada à 'Europa dos Povos', centrando-se em escolas musicais que cresceram entre a década de 50 do século XIX e os anos 20/30 do século XX.

Câmara de Lisboa lamenta

"Como cidadão só tenho de me sentir muito triste. A vida cultural de Lisboa fica muito mais pobre, e bastava lá ter ido uma vez para perceber porquê. Como político acho que se trata de um erro muito maior do que parece", comentou ao DN, o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Amaral Lopes.

O vereador considera que a defunta Festa da Música tinha um objectivo que estava a ser cumprido. "Criava hábitos, tinha regularidade, qualidade e democratizava o acesso à música clássica, e chegava a colocar Lisboa no mesmo patamar de outras cidades europeias."

Para Amaral Lopes, "a falta de dinheiro não pode ser desculpa para não haver prioridades como esta", adiantando que se trata de um sinal de que o Governo "desiste de um interesse público".

Leonor Figueiredo - diário de notícias

2 comentários:

blackangel disse...

gandas ordinários, concordo contigo...acabarem com a festa da música. indijentes, o que é que resta? o futebol e mais nada...

magarça disse...

Triste notícia. São iniciativas como a festa da música que criam novos ouvintes.